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Eliane Elisa de Souza e Azevedo
Eliane Elisa de Souza e Azevedo
Membro Emérito
10/07/2020
20:00
Discurso de saudação a Academia de Medicina da Bahia

Excelentíssimo Presidente Professor Doutor

 ANTONIO CARLOS VIEIRA LOPES

Distintos Membros da Diretoria

Ilustres Confrades e Confreiras
 

Sinto-me muito honrada no cumprimento da nobre missão de saudar a Academia de Medicina da Bahia na data de comemoração dos seus 62 anos de  fundação.

Agradeço ao Presidente e aos Membros da Diretoria ter-me dado essa distinta atribuição.

As pessoas atraídas pelo saber perceberam cedo a importância da criação de Academias.

A primeira Academia exclusivamente de ciências no mundo foi criada em Roma, no século XVII (1603) como nome de Academia dos Linces. Períodos de inativação e mudanças de nome ocorreram durante os séculos.

 No século XX, 1936, recebeu nova denominação, vindo a chamar-se Academia de Ciências do Vaticano e assim permanecendo na atualidade.

Também, há quatrocentos anos, em Londres, pesquisadores que se reuniam informalmente fundaram, em 1661 uma academia denominada “Royal Society of London for Improving Natural Science” (Sociedade Real para o Desenvolvimento das Ciências Naturais).

Em março de 1665 a Sociedade Real iniciou a publicação da revista “Philosophical Transactions” que se tornou a primeira revista com perfil científico e conselho editorial.  É a revista científica mais antiga do mundo com 355 anos de publicação interrupta.

As duas seculares academias disputam o título de primeira no mundo. A Academia de Ciências do Vaticano defende-se por ter a data de sua fundação cerca de cinqüenta anos antes da Sociedade Real. Esta, por sua vez, considera-se a primeira Academia de Ciências pelo fato de manter-se funcionando ininterruptamente há mais de quatrocentos anos.

Relembro esses fatos para demonstram que a disputa pela primazia revela o alto significado das academias, e, conseqüentemente, a honrosa distinção de ser membro de uma academia de ciências, em qualquer área do conhecimento e em qualquer lugar do mundo.

A Academia de Medicina da Bahia tem história recente, sem deixar, contudo, de ser partícipe da história universal das academias de ciência no mundo.

Até pouco mais da metade do século passado, nossa ciência, cultura e artes tinham fonte de inspiração na França. A Academia de Medicina da Bahia, fruto dessa época, teve na pessoa do Dr. Jayme de Sá Menezes, influência francesa inspirada na Academia de Ciências da França, fundada por Luiz XIV, e sugestão do ministro Jean Batiste-Colbert. Todavia, por já existir desde 1820 a Academia Nacional de Medicina de Paris, hoje Fundação da Academia Francesa de Medicina,  deverá também ter exercido forte influência na elite cultural baiana à época da fundação de nossa Academia.

Em seus 62 anos de existência a Academia de Medicina da Bahia, acompanhou a mudança de fluxo de influências científicas da França para os Estados Unidos.

Em 1958, rezava a tradição que “40” deveria ser o número de cadeiras de uma Academia, e assim nasceu nossa Academia, com 40 cadeiras, 28 membros titulares fundadores, 26 dos quais estiveram presentes ao ato de fundação.

A primeira deliberação da nova Academia foi reativar a publicação da Gazeta Médica da Bahia a fim torná-la sua publicação oficial. Consta que, à época, os respectivos direitos pertenciam à família Novis.

A tradicional e bem conceituada Gazeta Médica foi fundada em 1866, e também em um dia 10 de julho, deixando-nos  a dúvida  se escolha da mesma data para fundação da Academia foi coincidência ou  reforço intencional para aquisição dos direitos da revista.

Quando de sua fundação, a Academia de Medicina da Bahia ocupava a sala com o nome de Clementino Fraga, localizada no Hospital Santa Izabel, Santa Casa de Misericórdia. A primeira diretoria dirigiu os destinos da instituição entre os anos 1958 e 1960, tendo sido o Dr. João Américo Garcez Fróes seu primeiro Presidente.

No curso dos 62 anos, 20 presidentes dirigiram os destinos da Academia, havendo, todavia, uma variação entre os períodos de mandatos entre dois e quatro anos.

Dentre os vinte presidentes destacamos a presença de uma única mulher, a Dra Maria Thereza de Medeiros Pacheco no período de 1999 a 2003. A marcante personalidade, a competência e a simpatia da Dra. Maria Thereza permanecem bem vivas em nossa mente e em nossos corações. Na área médica local, a Dra. Maria Thereza também reserva o título da primeira mulher a tornar-se Professora Titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Nessas palavras de saudação à Academia incluo especial tributo à memória dessa inesquecível confreira Presidente.

Em 1978, vinte anos após sua fundação, a Academia de Medicina da Bahia iniciou a publicação de seus Anais. Os desafios para manter a continuidade da publicação de revistas científica locais foram também vividos pelos editores dos Anais da Academia de Medicina da Bahia.

A última edição dos Anais foi publicada em 2006. A essa época, já surgiam mudança na forma de editoração de revistas científicas impulsionada pelas novas tecnologias de comunicação.

As Academias na Bahia enfrentam não apenas o desafio de manter uma linha regular de publicação, mas também de assegurar um espaço físico apropriado à sua instalação.

Graças aos esforços do Presidente Thomas Rodrigues Porto da Cruz a Academia de Medina da Bahia reformou e adaptou uma sala no prédio da secular Faculdade de Medicina da Bahia, no Terreiro de Jesus. A evolução urbana ocorrida no centro histórico e as dificuldades de acesso ao referido prédio foram, aos pouco dificultando o uso regular da sala. O tempo e o não uso encarregaram-se da depreciação do espaço, levando à opção por remanejo para outro sala no mesmo prédio.

 Atualmente, com a persistência das dificuldades de acesso, questiona-se  a importância da manutenção do referido espaço e seus custos de locação.

No ano de 2013 após a eleição do Presidente Dr. Almério de Souza Machado, a Academia de Medicina da Bahia inovou em forma de parceria a realização conjunta de conferências mensais com Núcleo, Ciência, Cultura e Fé, sediado na Fundação Instituto Feminino da Bahia.

Na condição de coordenadora desse Núcleo reconheço  e agradeço a honrosa sugestão a qual vem sendo mantida  na atual presidência do Dr. Antonio Carlos Vieira Lopes. As conferências foram realizadas  ininterruptamente desde 2013, até a março de 2020 quando suspensas por acatamento a deliberações de saúde pública devido à pandemia.  A presença dos dois presidentes às conferências foi sempre motivo de muita honra e prestígio para todos que freqüentavam esses eventos.. Quatro (4) livros foram publicados com a   integra das conferências proferidas.

Ao completar seus 62 anos, a Academia de Medicina da Bahia. vem experimentando a partir de 2017, sob a Presidência do Dr Antonio Carlos Vieira Lopes notório impulso em suas atividades acadêmicas além do florescimento de notório espírito agregador unindo todos os seus membros.

A capacidade administrativa, o comando firme e gentil do Presidente Antonio Carlos, aliados a seu espírito de incansável garimpeiro de novos saberes nas ciências médicas, trouxeram para a Academia de Medicina da Bahia o real perfil de uma academia viva, competente  e admirada.

O louvável desempenho que a Academia de Medicina da Bahia vem tendo nos últimos anos, e, excepcionalmente, nos dias atuais, através vídeo-conferências, é traduzido em extraordinário  enriquecimento de saberes. Sob a competente coordenação do Dr. Gilson Feitosa o setor científico da Academia engrandece a todos nós e eleva o nome da Academia.

Uma Academia se torna engrandecida, não apenas em número de cadeiras, mas, sobretudo no aporte de conhecimentos e no compromisso coletivo em colaborar para o crescimento da mesma.

Eleito em 2017 e novamente  em 2019, o Presidente Antonio Carlos Vieira Lopes vem, em tempos difíceis, orquestrando com maestria a diversidade de opiniões prevalentes entre confrades e confreiras. Além de seu espírito agregador, nosso Presidente sabe despertar entusiasmo e contribuições científicas de qualidade  no enfrentamento aos desafios  trazidos por uma pandemia viral sem precedentes na história da humanidade.

Amplio as palavras de reconhecimento e louvores aos Membros da Diretoria que, ao lado do Presidente, compõem uma constelação de competência e dedicação de primeira grandeza.

As pessoas passam, mas as instituições se eternizam. Ao se eternizarem, carregam consigo os nomes de seus membros, tornando-os imortais, conforme a tradição.

Assim, deveremos nos tornar imortais não apenas no registro oficial da Academia mas, principalmente,  na lembrança das boas ações que fizermos por ela.

No futuro, essa Academia será o que os seus membros a fizerem ser.

Muito obrigada.

Academia de Medicina da Bahia
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