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Manoel Alfredo Curvelo Sarno
Manoel Alfredo Curvelo Sarno
Titular Atual
22/07/2026
20:00
Discurso de Posse na Academia de Medicina da Bahia de Manoel Alfredo Curvelo Sarno

PANEGÍRICO DA CADEIRA Nº 16 da Academia de Medicina da Bahia
Posse do Prof. Dr. Manoel Alfredo Curvelo Sarno

Excelentíssimo Senhor Presidente da Academia de Medicina da Bahia, Acadêmico Professor Doutor Cesar Augusto de Araújo Neto.

Excelentíssimos membros da Mesa.

Meu estimado padrinho acadêmico, Ilustríssimo Professor Doutor Antônio Carlos Vieira Lopes, a quem agradeço pela generosidade das palavras e, sobretudo, por me apresentar esta Casa e me estimular a me candidatar a uma vaga como acadêmico, e, acima de tudo, ter sido uma referência pra mim ainda durante a graduação.
Ilustres confrades e confreiras que aprovaram minha candidatura a ocupar a cadeira número 16 da Academia de Medicina da Bahia.

Autoridades.
Colegas.
Meus familiares e amigos.
Senhoras e senhores.

Recebo esta insígnia com profunda gratidão e, acima de tudo, com um sentimento de responsabilidade.

Vivemos um momento singular da história da humanidade.

Poucas gerações tiveram o privilégio — e, ao mesmo tempo, o desafio — de testemunhar uma transformação civilizatória tão profunda quanto aquela que hoje experimentamos. A passagem da Era Contemporânea (responsável pela modernização industrial) para a Era Digital modifica rapidamente a forma como produzimos conhecimento, nos comunicamos, aprendemos, trabalhamos e nos relacionamos.

Nunca tivemos acesso a tanta informação e produzimos tanta ciência.

Mas toda mudança de Era traz consigo períodos de incerteza e inúmeros desafios.

Vivemos um interregno histórico.

Uma época em que convivem, simultaneamente, avanços científicos com profundas inquietações sociais e ausência de padrões hegemônicos para diversas áreas do conhecimento.

As mudanças culturais aceleram-se. Vemos transformações econômicas, tensões políticas, conflitos armados e migrações humanas em diferentes regiões do planeta.

A Medicina atravessa essa transformação. Nunca dispusemos de tantos recursos diagnósticos e terapêuticos. Inteligência artificial, biologia molecular, genômica, robótica abriram perspectivas promissoras para o cuidado dos nossos pacientes.

Mas nunca estivemos tão expostos ao risco de confundir informação com conhecimento, visibilidade com credibilidade, opinião com evidência. Recentemente, o uso de um dispositivo com inteligência artificial durante uma consulta médica produziu acusações infundadas contra profissional idôneo. Novos tempos.

É justamente nesses períodos de transição que instituições como a Academia de Medicina da Bahia revelam sua maior importância. Quanto mais aceleradas são as mudanças da sociedade, maior é a necessidade de instituições capazes de preservar aquilo que não pode ser perdido durante a travessia. As Academias existem para garantir que, durante as transformações, permaneçam vivos os princípios que sustentam a boa Medicina. Preservam o método quando cresce a tentação do improviso. Preservam a ética quando surgem novos dilemas.

Este é exatamente o significado desta solenidade.

Hoje não tomo posse apenas de uma cadeira. Recebo a responsabilidade de dar continuidade a uma história iniciada muito antes de mim.

Uma história construída por homens extraordinários que compreenderam a Medicina como missão, ciência, magistério e compromisso com a sociedade.

Foi estudando a trajetória desses homens que compreendi o verdadeiro significado da Cadeira nº 16.
Começo, naturalmente, pelo patrono.

Ao estudar a vida do Doutor Cipriano Barbosa Betâmio, tive a impressão de que algumas existências deixam de pertencer apenas à História para se transformar em símbolos permanentes de uma profissão. Há médicos cuja contribuição repousa sobre grandes descobertas científicas. Há aqueles que transformam o ensino. Há os que constroem instituições. Dr. Betâmio alcançou a imortalidade por um caminho diferente. Fez da própria vida a sua maior lição.

Nascido em 1818, exerceu a Medicina em uma época em que epidemias ainda determinavam o destino de cidades inteiras. Em 1855, quando a cólera assolou a Província da Bahia, Santo Amaro tornou-se o retrato do colapso social provocado pelo medo.

Os relatos da época impressionam. As autoridades abandonavam seus postos. Os médicos recusavam-se a seguir para a região. Os engenhos interrompiam suas atividades. Famílias separavam-se. Cadáveres permaneciam insepultos. A doença parecia ter vencido não apenas os corpos, mas também a esperança.

Foi nesse cenário que o doutor Cipriano Barbosa Betâmio, sem ocupar qualquer cargo público que o obrigasse àquela missão, apresentou-se voluntariamente ao Presidente da Província para seguir até Santo Amaro e cuidar daquela população.

Ao despedir-se de sua esposa, Felismina, pronunciou a célebre frase: “Até a volta… se não for torta.” Dias depois, sucumbia à mesma doença que tentara combater.

Ao longo dos anos, essa história foi repetida inúmeras vezes como exemplo de coragem.

Mas, quanto mais refletia sobre sua trajetória, mais compreendia que sua principal virtude não tenha sido apenas a coragem. Foi o compromisso com pessoas que ele sequer conhecia. Compromisso com a sociedade.
Em uma época em que tantos recuaram diante do medo, doutor Betâmio compreendeu que havia momentos em que a presença do médico era mais importante do que a própria segurança. Essa é uma das maiores lições que um profissional de saúde pode receber.

Existem circunstâncias em que a Medicina deixa de ser apenas uma profissão para se tornar um dever moral. Durante muitos anos imaginei que histórias como essa pertencessem definitivamente ao século XIX. Acreditava que o extraordinário desenvolvimento da ciência havia tornado improvável que uma geração de médicos voltasse a enfrentar tamanha incerteza. Estava enganado. Cada geração acaba sendo chamada a viver sua própria epidemia.

Em 2015, Salvador tornou-se um dos principais cenários de outra grave emergência sanitária.

A epidemia causada pelo vírus Zika surpreendeu médicos, pesquisadores e autoridades sanitárias. Até então, tratava-se de uma infecção considerada benigna. Subitamente, observávamos um número crescente de gestantes cujos fetos apresentavam graves alterações neurológicas, incluindo a microcefalia. As perguntas surgiam em velocidade muito maior que as respostas. Naquele momento, permaneci integralmente dedicado à assistência das gestantes acometidas pela infecção, participei da elaboração dos protocolos assistenciais e intensifiquei minha atividade científica na tentativa de compreender aquele fenômeno inédito.

Neste desafio, participei das primeiras observações que correlacionaram a infecção pelo vírus Zika com a microcefalia fetal. Mas, passados todos esses anos, percebo que o que mais permaneceu na minha memória não foram os artigos publicados. Foram os olhares das gestantes. O silêncio que muitas vezes antecedia o resultado do exame ultrassonográfico. E o medo das gestantes, mesmo assintomáticas, que seus bebês pudessem ter o mesmo diagnóstico.

Aprendi, naquele período, que o sofrimento provocado pela incerteza é um dos maiores desafios da prática médica.

Anos mais tarde, durante meu pós-doutorado no King’s College de Londres, vivi outra grande crise sanitária mundial. A pandemia da COVID-19 nos colocou novamente diante do desconhecido. Os protocolos mudavam rapidamente. As evidências eram construídas em tempo real. No hospital onde trabalhava, nos primeiros momentos da pandemia, a orientação institucional era que os profissionais não utilizassem máscaras durante o atendimento, pois ainda não havia clareza sobre a forma de transmissão do vírus e temia-se aumentar a ansiedade dos pacientes. Hoje essa recomendação nos parece surpreendente e irracional. Naquele momento, representava simplesmente o melhor conhecimento científico disponível. Meu maior receio não era adoecer. Era regressar para casa ao final do dia e levar comigo um vírus ainda pouco conhecido, colocando em risco minha esposa e meus filhos.

Jamais ousaria comparar essas experiências ao sacrifício do doutor Cipriano Betâmio.

Seria uma pretensão injustificável. Ele entregou a própria vida no exercício da Medicina. Eu nunca enfrentei risco semelhante. Mas essas epidemias permitiram-me compreender, ainda que modestamente, a dimensão humana daquela decisão tomada em 1855. Passei a imaginar não apenas o médico que partia para Santo Amaro. Passei a imaginar também a esposa que permanecia. A família que aguardava seu retorno. O silêncio daquela despedida e a volta torta que realmente ocorreu. A história do doutor Betâmio continua atual. Ela nos recorda que a coragem não se opõe à ciência. A coragem leva o médico até onde ele é necessário. A ciência mostra-lhe o melhor caminho. E ambas somente encontram seu verdadeiro significado quando colocadas a serviço da humanidade.

Se doutor Betâmio representa a consciência moral da Medicina, o primeiro ocupante da Cadeira nº 16, Professor doutor Menandro Novais, representa a consciência científica.

Sua vida transcorreu em um período em que a Medicina deixava definitivamente para trás o caráter predominantemente empírico para consolidar-se como ciência organizada, sustentada pela investigação, pela universidade e pelas instituições.

Doutor Menandro compreendeu muito cedo que o futuro da Medicina dependeria menos de talentos individuais e mais da capacidade de construir estruturas permanentes para produzir e difundir conhecimento.
Em 1937, fundou, junto com o Dr. Estácio Gonzaga, o primeiro Serviço de Transfusão de Sangue da Bahia, iniciativa pioneira que representou um enorme avanço para a assistência médica em nosso Estado. Em uma época na qual a hemoterapia ainda dava seus primeiros passos, demonstrou visão de futuro ao organizar um serviço que salvaria inúmeras vidas e abriria novos caminhos para a medicina baiana. Mas sua atuação não se restringiu à assistência.

Foi professor universitário, tanto da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública como da Universidade Federal da Bahia, pesquisador, historiador da Medicina e um dos fundadores do Instituto Bahiano de História da Medicina e Ciências Médicas.

Não deixa de ser curioso que um homem tão comprometido com a inovação científica tenha dedicado parte importante de sua vida ao estudo da História e que o doutor Menandro, décadas depois de ocupar esta cadeira, voltou seu olhar para aquele que lhe dera origem.

Ao escrever o ensaio “Cipriano Barbosa Betâmio: Apóstolo, Mártir e Herói”, Dr. Menandro não prestava apenas uma homenagem ao patrono. Prestava uma homenagem à própria memória da Medicina. Por isso considero tão importante para a Academia a trajetória do doutor Menandro.

Enquanto o mundo acelera, ele nos recorda da importância da permanência.

O terceiro ocupante desta cadeira daria um passo além. Transformaria conhecimento em formação humana.

Ao contrário do patrono Dr. Cipriano e do Dr. Menandro, que conheci apensa pela história, o terceiro ocupante foi meu professor da Faculdade. Falo do Professor Doutor Antônio Carlos Peçanha Martins, que dedicou sua vida a uma das mais nobres vocações da Medicina: formar pessoas.

Sua trajetória confundiu-se com a própria história da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Professor livre docente da UFBA, clínico e pneumologista respeitado, participou da formação de inúmeras gerações de médicos que hoje ocupam posições de destaque na assistência, no ensino e na pesquisa em nosso Estado. Algumas características na sua personalidade eram marcantes, a elegância no trato, a serenidade, a firmeza de caráter, a independência intelectual e a generosidade.

Há professores que ensinam conteúdos e técnicas. E há aqueles que ensinam uma maneira de compreender a profissão. O Dr. Peçanha pertenceu a esse último grupo.
Sua influência ultrapassou a Pneumologia. Permaneceu viva em seus discípulos.

O professor é o único profissional cuja maior obra continua sendo construída por outras pessoas. Somos imortais por natureza. Os livros podem tornar-se desatualizados. Os protocolos clínicos são continuamente revisados. As tecnologias inevitavelmente envelhecem. Mas um bom mestre continua presente em cada decisão tomada pelos médicos que ajudou a formar. Esse talvez seja o único tipo de legado que o tempo não consegue apagar.

Ao estudar sua biografia, um detalhe chamou particularmente minha atenção. O doutor Peçanha foi colega de turma do Professor Antônio Carlos Vieira Lopes. Décadas mais tarde, coube ao mesmo Professor Antônio Carlos a generosidade de me apresentar a Academia de Medicina da Bahia.

As Academias costumam ser lembradas pela sucessão de seus ocupantes. Ao olhar para os homens que me antecederam, percebo que nenhum deles chegou a esta cadeira por representar uma especialidade. Chegaram porque representavam uma maneira de exercer a Medicina. Dr. Betâmio ensinou-nos a coragem. Dr. Menandro ensinou-nos a construir instituições. Dr. Peçanha ensinou-nos a formar pessoas.

O quarto ocupante da Cadeira nº 16 foi o Professor Luís Cláudio Lemos Correia.

Ao contrário dos professores Cipriano Betâmio, Menandro Novais e Antônio Carlos Peçanha Martins, Luís Cláudio não chegou até mim apenas pelas páginas da História ou pelo contato efêmero em uma cadeira acadêmica durante a Faculdade.

Nossas trajetórias sempre caminharam muito próximas e nos conhecemos pessoalmente.

Ingressei na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia no mesmo semestre que ele se formou, em 1992. Compartilhamos a mesma Faculdade, a maioria dos professores, inúmeros amigos em comum e uma formação moldada pelos mesmos valores da medicina baiana.

Casou-se com uma contemporânea minha dos tempos de colégio, é um dos melhores amigos do meu sócio, Professor Doutor Marcelo Aquino há mais de 40 anos. Frequentamos, em momentos muito próximos, a Unidade Coronariana do Hospital Português, ambiente que exerceu profunda influência sobre nossa formação. Há, inclusive, uma curiosidade que poucos conhecem.

Durante boa parte da graduação, eu acreditava que seria cardiologista. A Cardiologia fascinava-me pelo rigor do raciocínio clínico, pela elegância da fisiologia cardiovascular e pela precisão diagnóstica que exigia de seus praticantes. O destino, entretanto, conduziu-me por outro caminho. A Obstetrícia apareceu de maneira inesperada, transformou-se em paixão e, posteriormente, levou-me à Medicina Fetal e à Ultrassonografia. Luís Cláudio permaneceu na Cardiologia.

Nossos princípios permaneceram semelhantes.

Universidade, Pesquisa, Ensino e Ciência.

Ao longo dos anos acompanhei sua carreira com admiração. Dr. Luís Cláudio é nacionalmente reconhecido como uma das principais referências em Medicina Baseada em Evidências.

Mas houve um momento em que nossas trajetórias acadêmicas deixaram de ser paralelas. Uma tese de doutorado orientada por Luís Cláudio acabaria influenciando decisivamente minha própria carreira científica.
Refiro-me ao trabalho desenvolvido pela Dra. Denise Matias sobre o Doppler da artéria oftálmica na predição da pré-eclâmpsia. Ao ler aquela tese tive a percepção de que suas conclusões não encerravam uma investigação, mas abriam novas perguntas. Foi exatamente essa inquietação científica que me acompanhou, quando iniciei meu pós-doutorado no King’s College de Londres, em 2018, sob orientação do Professor Kypros Nicolaides. A linha de pesquisa que desenvolvemos em Londres nasceu diretamente daquela inspiração. Durante dois anos aprofundamos o estudo do Doppler da artéria oftálmica como ferramenta para predição da pré-eclâmpsia, produzindo novos conhecimentos que posteriormente foram incorporados ao software da Fetal Medicine Foundation, tornando este nosso trabalho reconhecido e utilizado em todo o mundo. Mais do que divulgar a Medicina Baseada em Evidências, o Prof. Dr. Luís Claudio ajudou a formar uma geração de médicos capazes de pensar criticamente.

Mostrou que evidência científica não é um conjunto de protocolos, nem uma coleção de artigos, nem um algoritmo de decisão. É uma atitude intelectual. É a disposição permanente para confrontar nossas convicções com a realidade dos fatos, mesmo que transitórias. É reconhecer que nenhuma opinião, por mais sedutora que pareça, pode prevalecer sobre a melhor evidência disponível e esta deve ser sempre revisitada e modificada caso surja nova evidência em seu lugar. Essa postura torna-se ainda mais necessária no momento histórico em que vivemos.

Como dito antes, toda mudança de Era traz um pessimismo generalizado. Uma sensação do mundo estar à beira do caos. O Dr. Luís Cláudio sempre foi um ser humano otimista e até utópico. Entre os colegas de colégio, ganhou o apelido de Ícaro, não por ignorar os riscos, mas por ser sonhador e sempre acreditar que o futuro nos reserva algo melhor. E a história nos prova que este receio não há fundamento, já que sempre saímos melhores na Era subsequente. Luís Cláudio, assim como eu, não deve estar assustado nem pessimista com todas as transformações no mundo atual.

Minha chegada a esta cadeira tornou-se possível porque o Professor Luís Cláudio Lemos Correia, Livre docente em Cardiologia, Professor Adjunto da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Diretor do Centro de Medicina Baseada em Evidências da Bahiana, Editor do Blog Medicina Baseada em Evidências (com 2,4 milhões de acessos), decidiu iniciar uma nova etapa de sua vida pessoal e acadêmica no exterior, onde atua como professor visitante da University of Central Florida nos Estados Unidos.

Assim, não recebo uma cadeira cujo legado se encerrou. Recebo uma cadeira cuja história continua sendo escrita. Tenho a honra de suceder um acadêmico que permanece intelectualmente ativo, produzindo ciência, formando pesquisadores e levando o nome da Medicina baiana para além das fronteiras do nosso país.

Essa circunstância aumenta, ainda mais, o senso de responsabilidade com que hoje assumo esta cadeira.

Ao estudar a história da Cadeira nº 16, encontrei quatro homens muito diferentes entre si.

Um clínico que entregou a própria vida durante uma epidemia.

Um pesquisador que ajudou a estruturar a medicina científica baiana.

Um mestre que fez da formação de médicos sua maior obra.

E um pensador que ensinou toda uma geração a exercer a Medicina com espírito crítico e respeito às evidências.

Suas especialidades eram diferentes. Suas personalidades também. Mas há entre eles um extraordinário elemento comum. Todos compreenderam que a Medicina é maior do que a carreira de qualquer médico.

Por fim, quero agradecer à Academia de Medicina da Bahia e meus confrades e minhas confreiras pela confiança.

Ao Professor Antônio Carlos Vieira Lopes, que me inspirou a fazer Medicina Fetal, cuja amizade e generosidade tornaram possível minha chegada a esta Casa.

A todas as Instituições que percorri, desde a escola Girassol, com a professora Tereza Cristina, o Colégio Marista, a Universidade Federal da Bahia, a Unicamp, a Allegheny University of The Health Sciences na Filadélfia e ao King´s College de Londres.

Aos mestres que iluminaram meu caminho. Aos colegas e amigos com quem compartilhei tantos desafios. Aos meus alunos, que diariamente renovam minha vontade de aprender. Às minhas pacientes pelo desafio de sempre ter a última evidência capaz de ajudá-las.

Aos meus amigos, colaboradores, colegas e professores dos diversos setores que trabalho na UFBA, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, Comissão de Residência Médica, Programa de Pós-graduação em Medicina e Saúde, Maternidade Climério de Oliveira e do Hospital Universitário Professor Edgar Santos.

Aos colaboradores da Caliper Escola de Imagem, que há 15 anos tem o propósito de formar médicos e difundir conhecimento. Aos colaboradores da Clínica Aloimune, que há 20 anos auxilia casais de todo o país a enfrentarem as dores da perda gestacional, das falhas de implantação e das gestações mal sucedidas.

À minha família, principalmente à minha esposa Lilian, meus filhos Nina e Artur, que toparam a aventura do pai e foram comigo passar dois anos desafiadores no exterior para meu pós-doutorado e todos os
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desafios diários e a José Alfredo que chegou recentemente para dar ainda mais propósito e alegria a nossas vidas.

Aos meus pais, José Fidelis Sarno e Heloisa Curvelo por terem me ensinado, desde cedo, que o estudo é uma forma de liberdade e que eu poderia seguir qualquer caminho que escolhesse.
Eles compreenderam minhas ausências. Celebraram minhas conquistas.

Ao meu querido amigo André Gusmão que toma posse junto comigo e com quem compartilho uma carreira muito próxima. Ambos fomos estudantes da UFBA e da UNICAMP.

Recebo esta cadeira consciente das minhas limitações. Mas profundamente inspirado pela grandeza daqueles que a ocuparam antes de mim.

Não pretendo imitá-los. Cada um viveu seu próprio tempo.

É com esse espírito que hoje assumo a honra de ocupar a Cadeira nº 16 da Academia de Medicina da Bahia.

Muito obrigado.

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