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Aroldo Bacelar
Aroldo Bacelar
Segundo Autor
14/07/2026
15:00
Saudação a Dr. Jamary Oliveira Filho pelo Prêmio Mérito Acadêmico na categoria Arte e Literatura

Exmo. Senhor Prof. Doutor Cesar Augusto de Araujo Neto, Digníssimo presidente da Academia de Medicina da Bahia. Em seu nome eu cumprimento os demais membros da mesa diretora desta solenidade.

 Senhor presidente, confreiras, confrades, senhoras e senhores convidados.

Inicialmente eu parabenizo a diretoria da Academia de Medicina da Bahia pela criação do prêmio anual do mérito acadêmico que é o reconhecimento de atividades sociais extraordinárias de colegas, sobretudo dos nossos confrades.

Nesse sentido, cumprindo o regulamento, os membros titulares: eu, Aroldo Bacellar ocupante da cadeira 13, Jadelson Pinheiro de Andrade da cadeira 1, Mittermeyer Galvão dos Reis da cadeira 38, Luciana Silva da cadeira 34 e Fábio Villas Boas da cadeira 41; ademais, os membros eméritos Professor Doutor Antônio Carlos Vieira Lopes e Professor doutor Ernane Antunes Gusmão propusemos com êxito o nome do confrade Membro Titular, Professor Doutor Jamary Oliveira Filho, ocupante da cadeira 37, para concorrer ao prêmio mérito acadêmico na categoria arte. Jamary venceu com louvor, e eu tenho a satisfação de saudá-lo.

Jamary tem a música, no seu DNA, haja vista ser filho de um casal de músicos dos mais importantes do nosso país. Ele é filho de Jamary, já falecido e de Alda Oliveira, ambos foram excepcionais professores de música.

Nosso confrade teve seu aprendizado em música iniciado aos sete anos de idade na Escola de Música (EMUS) da UFBA. Na ocasião, estudava as manhãs no Colégio São Paulo e a tarde na escola de música.  Sua genitora Alda de Jesus Oliveira liderava um projeto de educação musical para crianças. As crianças aprendiam ritmo, melodia, andamento e dinâmica.

Ele, Jamary, aprendeu de forma lúdica, imersiva, instrumentos como flauta doce e percussão. Ele já assistia concertos da sinfônica da UFBA e da OSBA. Na ocasião, seus pais lhe perguntaram qual o instrumento ele gostaria de tocar. Ele escolheu o violino e passou então a ter aulas particulares com a professora Margarida Lima. Sua mãe Alda certa vez, disse que ele, era chamado de violino de ouro.

Aos doze anos seus pais foram para o doutorado em Austin, Texas onde ele continuou suas atividades com o violino. Ele tinha aulas na própria escola que permitia matrículas optativas em disciplinas de arte. No Texas ele evolui muito, tendo em certo período, tocado simultaneamente em cinco orquestras estudantis. Não fosse a saudade da família pelo nosso pais ele teria sido músico nos Estados Unidos.

Quando voltou para a Bahia ele continuou os estudos de violino com Salomão Rabinovitz na ocasião, o Spalla na OSBA. Jamary foi por várias vezes premiado. Ele decidiu ser médico no final do ensino médio, contudo, permaneceu se apresentando como violinista em diversos eventos, sobretudo em casamentos; isso até o terceiro ano de medicina.

Já neurologista ele tocou em Boston, pois certa vez eu me encontrei com Walter Koroshetz do Mass General e ele me disse – Jamary é um muito bom neurologista e um excelente músico. Em Salvador, tem tocado em congressos e simpósios de medicina.

Meus confrades, me permitam sair do contexto da música, afirmando que também sou admirador da trajetória do Jamary como neurologista. Na verdade, bem antes dele voltar ao Brasil eu já sabia do seu valor. Lembro-me de uma das diretoras do Colégio São Paulo que me dizia -Está voltando para a Bahia um neurologista um pequeno gênio chamado Jamary. Eu como outros achávamos que o nome dele era Jean Marie, e somente descobri seu nome quando soube que ele era genro do professor Milton Barros, meu amigo, portanto esposo de Luciana. Eu fui ao casamento deles.  

Logo que Jam voltou dos Estados Unidos, eu lhe procurei. Tivemos uma conversa no Hospital São Rafael. Eu sabia que ele havia sido convidado para trabalhar em São Paulo e apelei para a cidadania e assegurei que no HSR ele teria a chance de manter um bom nível de assistência médica, de ensino e de pesquisa. E citei a oportunidade de criarmos uma neuro-UTI no Hospital São Rafael onde ele seria o mentor. Eu tinha o aval da doutora Liliana. De fato, Jamary nos deu o privilégio de participar da nossa equipe por seis anos. No HSR ele contribuiu com competência na assistência médica, inclusive realizou a primeira trombólise IV em AVC, produziu trabalhos científicos de alto nível, e tem colaborado na preceptoria da residência. Atualmente ele é professor titular na Faculdade de Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia e tem contribuído na formação e na pós-graduação. Ultimamente ele toca com os filhos Felipe, Henrique e Sarah. Finalizando eu peço vênia aos senhores para outra quebra de protocolo. Eu pedi ao Jam que ele tocasse para aumentar o brilho desta solenidade e já nos prometeu. Ele aceitou, pois, ainda continua tendo um grande prazer tocando violino tanto, sozinho como com sua família.

Portanto, Jamary é um músico nato que se tornou um neurologista excepcional. Destarte, ele é merecedor, com honras, do prêmio mérito acadêmico, na categoria arte. Parabéns, Jamary. Eu agradeço à diretoria da Academia de Medicina da Bahia o privilégio de ter me concedido a honra de saudar o confrade Jamary, nesta noite de gala.

Muito Obrigado

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